O feriado do dia 3 de outubro, no Rio Grande
do Norte, tem várias versões: históricas, econômica, religiosa, etc, o que leva
a incompreensão dos fatos por boa parte da maioria dos moradores das terras
potiguares, ocasionando uma certa desvalorização da importância de um dos
maiores massacres na história imposta pela colonização, que o país viveu.
Católicos do Rio Grande do Norte recordam,
nesta data, o massacre dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, mortos por holandeses
no ano de 1645, por não aceitarem a imposição militar, cultural e da sua
religião protestante calvinista, se tornando um momento ímpar da história
potiguar de resistência, fé e de defesa dos princípios de liberdade. "Os
mártires foram escolhidos como padroeiros do Rio Grande do Norte devido à
importância do fato. Eles foram os primeiros mártires do Brasil, por isso o
nome protomártires", explica Pe. Antônio Murilo de Paiva, capelão dos
mártires.
Os episódios dos massacres de Cunhaú e Uruaçu
ocorrem em meio a uma crise no mercado do açúcar, e ao levante de colonos
portugueses e brasileiros contra o domínio holandês. Após tomarem a Fortaleza
dos Reis Magos, em 1633, os holandeses passaram a chamar Natal de "Nova
Amsterdã” e a Fortaleza de “Castelo Keulen”. O deslocamento das forças seguiu
devastadora para o interior do estado.