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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Deputado José Dias afirma que a chapa do PMDB é confusa e “tem medo do povo”

Deputado do PSD critica acordão comandado por Henrique Alves.
O deputado estadual José Dias (PSD) avalia que a chapa que está sendo montada pelo PMDB, contemplando partidos como o PSB da ex-governadora Wilma, o DEM do senador Agripino e da governadora Rosalba, o PSDB do suplente de deputado federal Rogério Marinho, o PPS do suplente de vereador Wober Júnior, dentre outras legendas, como PROS e PR, é uma chapa confusa.
“Tão confusa que você não sabe quem é o candidato a governador. E a candidata a senadora, que hoje o PMDB estranhamente festeja, não se declara candidata claramente a senadora. Ela deixa a entender que pode ser candidata a governadora, mantendo, ainda, a reserva da possibilidade de ser candidata a deputada federal, porque não sabe o que vai ocorrer”, diz.


“O que eu vejo é o seguinte, é que por mais poderosos que eles sejam, e indiscutivelmente o PMDB é poderoso, indiscutivelmente Dona Wilma é muito poderosa, eles têm medo do povo. Eu não sei por quê”.


Ao fazer alusão às articulações do PMDB com o PSB, José Dias afirma que os líderes dessa articulação, especialmente o deputado federal Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, “não estão dizendo o que querem porque estão com medo de enfrentar a opinião pública, estão com medo da reação, têm medo das ruas. Essa que é a grande verdade. Estão negando a própria essência da democracia”, afirmou, numa crítica direta à indefinição do PMDB.

O PMDB chegou a apontar o ex-senador Fernando Bezerra como provável candidato do partido a governador. Bezerra, por sua vez, disse que Garibaldi poderia ser candidato, caso Wilma não se aliasse ao PMDB. Nos últimos dias, os prefeitos apontaram Henrique como o preferível, diante da negativa de Garibaldi. O líder do PMDB na Assembleia, Walter Alves, também seria uma opção da legenda. Apesar de tudo isso, permanece a indefinição, alvo das considerações de José Dias.

“Eu acho que quando você não tem medo do povo, você leva para o povo as suas intenções verdadeiras. Você esclarece o que você pretende. Essa história de você ser ungido, isso não existe. Desde que o mundo é mundo, as lideranças se formam porque os líderes trabalham para ser líderes. Então, você diz, eu não quero ser governador, eu não quero ser senador, mas o povo é que quer, eu vou ser o que o povo mandar. Isso é uma mentira muito grosseira, porque atenta contra a inteligência de todos nós”, critica o parlamentar. “E o que eles dizem nas palavras deles: ‘Nós somos defensores da transparência, da sinceridade, da clareza, e estão trabalhando exatamente na moita’”, aponta.

José Dias concorda que o PMDB é o partido mais forte politicamente e economicamente, no entanto, acusa a legenda dos sobrinhos Henrique e Garibaldi Filho de ter um “projeto secreto” para o Estado. “O que é que ocorre? O PMDB não tem definição. Ninguém no RN acredita nos candidatos ou no candidato que o PMDB propalou. Para começo de conversa, nem o próprio candidato acredita. Então, o PMDB tem um projeto secreto, que eu acho que, na política, é a pior coisa que se possa fazer. É negar ao público a verdade, a clareza, a transparência, a verdadeira intenção. Eu acho que o PMDB labora, neste caso, como já laborou em outros, num equivoco fundamental”.

ACORDÃO

Ainda segundo o pessedista, o processo conduzido pelo PMDB é no sentido de “vamos eleger qualquer um que nós escolhermos”. Ele completa: “O PMDB, que, como partido, é o mais forte do estado, indiscutivelmente, não tem candidato. Mas não tem candidato mesmo! O que o PMDB parece que pretende é definir não o nome, mas o seguinte: vamos eleger qualquer um que nós escolhermos, reúne todo mundo aqui, e, quando reunir, aí sai: ‘agora o candidato é esse’. Eu acho que isso nunca ocorreu; e não vai ocorrer dessa vez. Eu não acredito. Ao contrário. Eu acho que agora que a coisa está mais difícil. Mas, muito mais difícil. Tanto mais difícil, que eles não têm coragem nem condições de dizer, olha: Vamos para a rua, o povo vai julgar, se o negócio está certo, se está errado. Vamos ver o que vai dar”.

Instado a falar na possibilidade de Garibaldi, maior capital de votos do PMDB e um dos líderes nas pesquisas eleitorais para o governo, José Dias afirmou, categoricamente, que o sobrinho não quer ser candidato. Entretanto, na sua avaliação, o atual ministro da Previdência, que, para concorrer nessas eleições, precisará deixar o ministério até o dia 5 de abril, só seria candidato numa situação extrema. “Que eu não acredito que essa coisa vá ser necessária. Somente nessa situação extrema acho que Garibaldi possa ser candidato. Ser forçado mesmo a ser. Aí sim: ser forçado a ser por uma reação”, diz.

Quanto ao nome de Walter Alves, segundo Dias, o problema não é nem a juventude, mas a má vontade dentro do próprio PMDB para com o líder do PMDB na Assembleia. “Walter tem um problema: existem dentro do próprio PMDB muitas pessoas que não querem que ele tenha essa ascensão agora. São pessoas que querem se manter na liderança do Estado e que não querem entregar. É um pouco da reação a Robinson, por conta da idade, porque estão ali dominando, e acham que não devem dar uma chance a quem tem ainda uma perspectiva de permanecer por mais tempo na política”, disse.

“Chapa Robinson e Fátima Bezerra está formada. Anúncio é questão de dias”

José Dias afirma que a chapa que tem o vice-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), candidato ao governo, e a deputada federal Fátima Bezerra (PT) ao Senado, “está formada” e que o anúncio oficial é “uma questão de dias”. Segundo o pessedista, a aliança entre PT e PSD foi facilitada pela exclusão do PT das articulações promovidas pelo PMDB no Estado, e só não foi anunciada ainda por conveniências de natureza política do PT. Tais conveniências visam ao procedimento de ouvir as bases, evitando atropelar o processo político.

“A chapa Robinson e Fátima está formada. Não foi anunciada porque existem, principalmente do lado do PT, conveniências de natureza política”, confere Zé Dias, destacando como força motriz dessa união entre PT e PSD no Rio Grande do Norte o desejo de reproduzir o palanque da presidente Dilma Rousseff (PT). Além disso, a candidatura de deputada federal Fátima Bezerra (PT) ao Senado contribui decisivamente para esta aliança.

“Todos são unanimes em dizer que a vontade do PT, nacionalmente, é que Fátima seja candidata ao Senado e que forme um palanque de apoio à candidatura da presidente Dilma. Está muito claro que, aqui no RN, Fátima só terá chance de formar este palanque com o PSD. Nesse sentido, o PSD nacional e local já declarou que apoiará a reeleição da presidente Dilma. Dessa forma, o anúncio da chapa Robinson e Fátima é uma questão de dias”, disse o deputado.

“Agnelo seria um excelente vice para a chapa Robinson e Fátima”

José Dias também opinou sobre a composição da chapa Robinson governo e Fátima Senado. Segundo ele, a proposta do ex-presidente do PT Geraldo Pinto, para que o PMDB indique Walter Alves como vice na chapa PSD e PT, “é indiscutivelmente maravilhosa, porque agregaria a força do PMDB ao palanque”. Entretanto, o pessedista não descartou o deputado estadual Agnelo Alves como o representante do PDT na chapa Robinson e Fátima.

“A chapa com Walter de vice seria indiscutivelmente uma chapa maravilhosa, tanto do ponto de vista político quanto eleitoral. Se nós enquanto classe política conseguirmos formar essa chapa, seria, com certeza, uma grande chapa”, elogiou Dias. “Como acho que o PDT poderia dar certo na chapa. Agnelo seria um excelente nome nessa chapa. Ou seja, Robinson governador, Agnelo vice, e Fátima para o Senado”, disse o parlamentar.

Ainda segundo José Dias, PSD e PT esperam atrair o PDT para a chapa em formação. O PSD de Robinson Faria foi o primeiro partido a anunciar apoio à candidatura de Carlos Eduardo (PDT) nas eleições de 2012, quando o prefeito só contava com o apoio da sua própria legenda. “Agnelo seria um excelente nome para compor como vice de Robinson, porque agregaria experiência à chapa”, disse. “Mas os dois nomes – Walter e Agnelo -, na minha visão, seriam muito importantes, porque são nomes que agregariam e nomes que trariam os partidos que são importantes”, finalizou.

Alex Viana

Repórter de Política

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